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Reforma Tributária

Simples Nacional e a Reforma Tributária: o Guia Prático da opção em Setembro de 2026

Suellin Lopez
10 setembro 2026 SALVAR
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Resumo Rápido: o Que Você Precisa Saber

  • A reforma tributária passou a impactar o Simples Nacional por meio da Resolução CGSN nº 186/2026, publicada em abril de 2026.
  • Empresas do Simples Nacional podem optar, de 1º a 30 de setembro de 2026, pelo regime híbrido — pagando IBS e CBS fora do DAS, no regime regular.
  • Quem não fizer a opção permanece automaticamente no Simples Nacional tradicional (IBS/CBS por dentro do DAS) até a próxima janela, em março de 2027.
  • A decisão vale para todo o ano-calendário de 2027 e pode ser cancelada, de forma irretratável, até 30 de novembro de 2026.
  • Empresas B2B que compram de fornecedores do regime normal tendem a se beneficiar mais do modelo híbrido; empresas B2C, geralmente não.

 

Introdução

Aquela promessa de que o Simples Nacional não seria impactado pela reforma tributária? Mudou.

E agora, em setembro, você precisa estar preparado para orientar seus clientes sobre uma das decisões mais importantes do ano. Mais de 90% das empresas no Brasil são optantes pelo Simples Nacional. Se você atua em um escritório de contabilidade, provavelmente está cuidando de um portfólio inteiro dessas empresas. E elas estão na sua porta agora: você tem até o final de setembro para fazer escolhas que vão impactar toda a operação delas em 2027.

Vamos entender o que mudou com a reforma tributária no Simples Nacional, por que isso importa e como você vai orientar seus clientes.

Assista a gravação da primeira live realizada sobre o “Simples Nacional e Reforma Tributária | Calendário do Simples Nacional mudou e você precisa saber”

 

O Que Mudou no Simples Nacional com a Reforma Tributária?

Resolução 186 do Simples Nacional: a Nova Regra do IBS e CBS

Em abril de 2026, o Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) publicou a Resolução CGSN nº 186/2026, que trouxe mudanças significativas para quem é optante do regime. A principal delas?

O Simples Nacional agora será impactado pela reforma tributária.

O cenário mudou: empresas que optam pelo regime agora precisam decidir entre dois caminhos:
Simples Nacional por dentro – a empresa continua no regime do DAS, mantendo a tributação atual.
Simples Nacional híbrido (IBS/

CBS por fora) – a empresa paga IBS e CBS no regime regular (fora do DAS), enquanto os demais impostos continuam no DAS.

Opção Simples Nacional Setembro 2026: Por que isso importa Agora

Brasileiros adoram deixar para a última hora. Mas aqui, o timing é crítico. A janela de opção é setembro (do dia 1º ao dia 30). Não é mais janeiro. Isso muda tudo. Se seu cliente não fizer essa opção agora, ficará automaticamente no Simples Nacional por dentro (com IBS/CBS por dentro do DAS). A próxima oportunidade de mudança só vem em março de 2027, e valerá apenas para o segundo semestre daquele ano.

 

IBS e CBS no Simples Nacional: os Cenários de Opção

Cenário 1: Simples Nacional Por Dentro

A empresa continua exatamente como está hoje. Os impostos IBS e CBS ficam dentro do Simples Nacional, no cálculo do DAS.

Impacto: sem mudanças imediatas de carga tributária.  Mas cuidado: a empresa pode perder competitividade no mercado.

Cenário 2: Simples Nacional Híbrido

A empresa calcula IBS e CBS no regime regular (fora do DAS), aplicando regras de:
Não cumulatividade plena – direito a crédito do imposto pago nas operações anteriores.
Base ampla – aplicação sobre a maioria das operações.

O resultado? A carga tributária pode aumentar ou diminuir, dependendo de três fatores:
• A cadeia de clientes – trabalha com B2B (empresa para empresa)?
• A origem das compras – fornecedores são de que regime?
• O acesso a créditos – será possível recuperar impostos das entradas?

 

A Análise Prática: Quando o Híbrido Faz Sentido

O Impacto dos Créditos de Fornecedores

Aqui está o ponto crítico que muitos ignoram: o Simples Nacional não é apenas uma questão de carga tributária, é uma questão de negócio.

Vamos a um exemplo prático: Uma empresa de comércio calcula R$ 922,38 de carga tributária em dezembro de 2026, toda dentro do Simples Nacional. Se optar pelo híbrido em 2027, a simulação mostra um aumento de 17% na carga tributária. Parece ruim, certo? Mas espera.

Quando você analisa de onde essa empresa compra:
• 85% dos fornecedores = regime normal
• 15% dos fornecedores = Simples Nacional

Como a maioria das compras vem do regime normal, a empresa recebe créditos mais substanciais no regime regular do IBS/CBS. Isso reduz significativamente o impacto final da carga tributária. Agora inverta o cenário: se essa mesma empresa comprasse 80% de fornecedores do Simples Nacional? Aí sim, o aumento seria considerável. Por quê? Porque fornecedores do Simples pagam menos imposto e geram menos crédito para o comprador.

A Regra de Ouro

Sua empresa precisa conhecer a cadeia comercial do cliente:
• Para quem ela vende?
• De quem ela compra?
• Qual é o regime dos fornecedores?
• E dos clientes?

Se seu cliente vende para pessoa jurídica (B2B) e compra de empresas do regime normal, o híbrido pode fazer muito sentido. Se trabalha só com pessoa física (B2C) e compra do Simples, talvez não.

 

Simples Nacional 2027: os Prazos Que Você Não Pode Ignorar

Setembro de 2026: a Janela de Opção Atual

• Data: 1º a 30 de setembro de 2026
• O que fazer: acessar o Portal do Simples Nacional e fazer a opção
• Impacto: vale para todo o ano-calendário de 2027

Novembro de 2026: o Período de Arrependimento

• Data: até 30 de novembro de 2026
• O que fazer: cancelar a opção se a decisão tiver sido errada
• Cuidado: estratégia comum, mas perigosa quando não bem planejada

Muitos profissionais optam por todos os clientes em setembro e depois descadastram só os que não fazem sentido em novembro. O problema? Se você não simular corretamente, vai perder oportunidades e deixar clientes em regime inadequado.

Março de 2027: a Próxima Janela

• Data: próxima oportunidade de mudança
• Impacto: válida apenas para o segundo semestre de 2027

 

Novas Empresas: uma Armadilha de Prazos

Tem uma nova regra que poucos sabem: empresas que abrem a partir de agora precisam fazer a opção pelo Simples Nacional no próprio CNPJ, durante o processo de inscrição (módulo de administração tributária). Se a empresa abrir e não fizer essa opção naquele momento, ela automaticamente não será Simples Nacional naquele ano. Terá que esperar setembro de 2027.

Para você: isso significa que, quando um cliente pessoa física buscar seu escritório para abrir uma PJ, você já precisa estar preparado para analisar se o Simples Nacional faz sentido ou não. Não há segunda chance até o próximo ano.

 

A Estratégia de Opção: o Que Não Fazer

❌ A Estratégia Perigosa

“Vou optar todo mundo em setembro e depois cancelo os que não fazem sentido em novembro.”
Por que é perigosa?
Se seu cliente perde a opção em setembro (ou você não optar), ele fica automaticamente no Simples por dentro. Depois, quando os clientes desse cliente veem que ele não oferece crédito, podem deixar de comprar. Seu cliente perde negócio e vem reclamar com você.

Isso é especialmente grave em operações B2B, onde o crédito do imposto muda toda a dinâmica de preços.

✅ A Estratégia Correta

Conheça a realidade do cliente
• Análise tributária: quem compra, quem vende, qual o regime
• Operação comercial: é B2B, B2C ou híbrido?

Simule cenários
• Carga tributária em ambos os regimes
• Impacto de créditos dos fornecedores
• Comparação com Lucro Presumido e Lucro Real

Decida com consciência
• Escolha o regime que faz sentido para a operação real
• Se não tem informação suficiente, opte — mas reavalie em outubro

Acompanhe mensalmente
• A situação pode mudar com novas resoluções
• Mantenha a opção revisada em sua agenda

 

Ferramentas Para Tomar a Decisão Certa

Simulador de Reforma

O que faz: pega a realidade atual da empresa (receitas, despesas, fornecedores) e mostra exatamente quanto de carga tributária haveria em 2027 se a reforma fosse hoje, considerando o cenário do Simples híbrido.
Quando usar: para análise rápida e comparativa. Ele não muda nada — apenas projeta a realidade atual para 2027.
Acessar no Sistema Domínio: Módulo Reforma Tributária → Simulador

Planejador Tributário

O que faz: permite simular a empresa em quatro cenários diferentes:
• Simples Nacional por dentro
• Simples Nacional por fora (híbrido)
• Lucro Presumido
• Lucro Real
Mostra graficamente qual regime gera menor carga tributária.
Quando usar: para decisão mais estratégica, comparando todos os regimes possíveis, não apenas o Simples.
Acessar no Sistema Domínio : Módulo Reforma Tributária → Planejador

Relatório Regimes Tributários

O que vai fazer: mapear automaticamente:
• Participação de clientes por regime (Simples vs. Normal)
• Participação de fornecedores por regime
• Percentuais de receita e compra em cada regime
Acessar no Sistema Domínio: Reforma Tributária > Perfil Tributário Clientes e Fornecedores

Assim você consegue visualizar rapidamente se a empresa é mais B2B ou B2C, e qual é a composição real da cadeia comercia.

 

Precificação: a Outra Face da Moeda

Aqui vai um insight que muitos contadores perdem: a opção que você faz em setembro também impacta os preços que seu cliente vai precisar cobrar em 2027.

Se a empresa optar pelo híbrido:
• Ela tem acesso a créditos maiores
• Seu custo efetivo pode reduzir
• Ela pode precificar mais competitivamente

Se fica no Simples por dentro:
• Sem acesso a créditos maiores
• Custo mantém a mesma base
• Precificação menos competitiva em relação a concorrentes no híbrido

Então, quando você simular a opção, lembre-se: essa empresa talvez precise revisar os preços de venda também em 2027.

 

Resolução 186 do Simples Nacional: Dois Alertas Finais

Alerta 1: Débitos Tributários

Para optar pelo Simples Nacional, a empresa precisa estar em dia com a Receita Federal, estadual e municipal. Débitos com intimação de exclusão já desqualificam. Débitos em parcelamento em dia são ok.

Alerta 2: Mudanças Podem Vir

Sindicatos de contadores em São Paulo e em outras regiões pediram ao governo para postergar essa opção para 90 dias após a divulgação das alíquotas definitivas de IBS e CBS. Pode haver mudanças.
Mantenha-se atualizado. Acompanhe a Receita Federal, os sindicatos e a gente aqui da Domínio Sistemas — qualquer novidade, comunicamos.

Durante Setembro
• Dialogue com clientes – compartilhe os cenários e recomendações
• Registre a opção – no Portal do Simples Nacional, opte pelo regime que faz sentido
• Documente a decisão – mantenha registro de por que escolheu cada regime

Pós-Setembro
• Acompanhe – fique atento a possíveis mudanças de resoluções
• Revise em outubro – antes de novembro, reavalie se a opção ainda faz sentido
• Prepare para 2027 – estruture a precificação e o acompanhamento dos clientes

 

Perguntas Frequentes sobre Simples Nacional e Reforma Tributária

1. O que é a Resolução 186 do Simples Nacional?

A Resolução CGSN nº 186/2026, publicada pelo Comitê Gestor do Simples Nacional em abril de 2026, define os prazos e as regras para que empresas optantes pelo Simples Nacional escolham, entre 1º e 30 de setembro de 2026, se querem apurar o IBS e a CBS pelo regime regular (fora do DAS) a partir de 2027.

2. O que muda no Simples Nacional com a reforma tributária?

Com a reforma tributária, o Simples Nacional passa a ter dois formatos possíveis: o modelo tradicional, em que IBS e CBS continuam recolhidos dentro do DAS, e o modelo híbrido, em que esses dois tributos são apurados separadamente, no regime regular, com direito a crédito para quem compra da empresa.

3. Como funcionam o IBS e o CBS no Simples Nacional?

No Simples Nacional tradicional, o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) ficam embutidos na guia única do DAS. No Simples Nacional híbrido, a empresa apura e recolhe IBS e CBS separadamente, seguindo as regras de não cumulatividade plena e base ampla do regime regular — o que gera direito a crédito, especialmente em vendas B2B.

4. Quando é a opção do Simples Nacional em setembro de 2026?

A opção deve ser feita no Portal do Simples Nacional entre 1º e 30 de setembro de 2026. A escolha produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 2027 e pode ser cancelada, de forma irretratável, até o último dia de novembro de 2026.

5. O Simples Nacional vai mudar em 2027?

Sim. A partir do Simples Nacional 2027, as empresas que optarem pelo regime híbrido passam a recolher IBS e CBS fora do DAS, no regime regular, enquanto quem permanecer no modelo tradicional continua com esses tributos dentro do Simples. A opção feita em setembro de 2026 vale para todo o ano-calendário de 2027.

6. É possível cancelar a opção pelo regime híbrido depois de setembro?

Sim. O cancelamento pode ser feito até 30 de novembro de 2026. Depois desse prazo, a opção (ou a ausência dela) se torna irretratável até a próxima janela, em março de 2027, que valerá apenas para o segundo semestre daquele ano.

7. Toda empresa do Simples Nacional deve optar pelo híbrido?

Não necessariamente. O híbrido tende a compensar para empresas B2B que compram de fornecedores do regime normal, por gerar mais crédito de IBS/CBS. Empresas que vendem principalmente para consumidor final (B2C) e compram de fornecedores do Simples Nacional, em geral, se beneficiam mais do modelo tradicional. A decisão deve considerar a cadeia comercial de cada cliente.

 

Conclusão

A opção do Simples Nacional em setembro não é só um formulário para preencher. É uma decisão estratégica que vai impactar a carga tributária, a competitividade e até a continuidade do negócio dos seus clientes em 2027.

Não deixe para a última hora. Não opte sem entender. E não subestime o impacto da cadeia comercial na decisão.

Seus clientes contam com você para orientar. Estude os casos, use as ferramentas certas e decida com consciência. A reforma tributária no Simples Nacional é complexa, mas você tem as informações e as ferramentas. Agora é ação.

Próximos Passos

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Fontes

• Receita Federal — CGSN define prazos de opção pelo Simples Nacional e pelo regime regular do IBS e da CBS para 2027 (gov.br)
Resolução CGSN nº 186, de 09/04/2026

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