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Impactos do novo IBS
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Novo IBS em 2026: impactos para contadores e o que fazer desde já 

Nashila Santos
10 fevereiro 2026 SALVAR
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O novo IBS é uma das peças centrais da Reforma Tributária e compõe, junto com a CBS, a estrutura do IVA Dual prevista pelo novo modelo.  

Ele substitui o ICMS e o ISS, unificando regras que antes variavam entre estados e municípios e trazendo uma lógica mais transparente, com base ampla, não cumulatividade plena e recolhimento no destino, mas que também aumenta o volume de trabalho exigido dos escritórios, especialmente durante a transição. 

Essa mudança não altera apenas cálculos; ela transforma processos inteiros que hoje dependem de interpretações locais, cadastros distintos e controles ajustados a realidades diferentes. 

A adoção de uma alíquota única, ainda que com variações regionais, reduz parte do emaranhado de regras atuais, mas exige mais rigor nos registros e maior alinhamento entre áreas internas.  

Além disso, o IBS conviverá por alguns anos com o modelo antigo, criando um período de transição que aumenta a complexidade operacional e demanda atenção contínua de escritórios e empresas. 

Esse cenário torna 2026 um ano decisivo: é quando contadores começam a lidar com a convivência entre regimes e com novas exigências de comprovação, padronização e conferência de dados.  

Nos próximos tópicos, vamos detalhar os impactos práticos do IBS na rotina contábil, como essas mudanças afetam escritórios de diferentes portes e quais ações antecipadas ajudam a reduzir riscos, organizar processos e apoiar clientes com mais segurança. 

Impactos do IBS na rotina contábil: o que muda na prática 

A chegada do IBS reorganiza etapas fundamentais da operação contábil e exige um nível maior de padronização, rastreabilidade e controle. A lógica do novo modelo reduz subjetividades que existiam no ICMS e no ISS, mas aumenta a necessidade de registros consistentes, conferências mais frequentes e alinhamento entre setores internos e clientes. É nessa camada operacional que o impacto se torna mais direto para o escritório, especialmente durante os primeiros anos de convivência entre regimes. 

A seguir, detalhamos os pontos que ganham mais relevância na prática. 

Mudanças na apuração com a lógica do IBS 

A apuração passa a seguir um modelo mais uniforme, mas sensível à qualidade dos registros. Entre os elementos que moldam essa nova dinâmica estão: 

  • Base ampla e não cumulatividade plena: o crédito deixa de depender de interpretações específicas e passa a refletir o imposto pago na etapa anterior, exigindo comprovação clara. 
  • Crédito vinculado ao recolhimento: a apropriação depende da liquidação tributária, criando necessidade de acompanhar prazos e condições de pagamento. 
  • Split payment aplicado ao IVA dual: o recolhimento direto pela instituição financeira reduz disputas, mas demanda organização para conciliar informações. 
  • Operações interestaduais: como o imposto é recolhido no destino, vendas para outras regiões exigem maior controle sobre local, alíquota e destinação. 
  • Alíquotas unificadas com variação regional: a lógica é mais simples, porém exige atenção para identificar corretamente qual alíquota se aplica a cada operação. 

Créditos: como o IBS altera controles e conferências 

A forma de acompanhar créditos fiscais muda de maneira estrutural, deixando para trás regras fragmentadas do ICMS e ISS. Isso afeta diretamente o processo de conferência mensal do escritório. 

  • Mudanças em relação ao ICMS e ISS: unificação das regras reduz divergências entre estados e municípios, mas exige adaptação aos novos critérios. 
  • Regras padronizadas de crédito: o escritório passa a lidar com um conjunto mais coeso de exigências, com menor espaço para interpretações distintas. 
  • Desafios de prazo e fluxo de caixa: o crédito que depende do recolhimento pode gerar descasamentos entre emissão, pagamento e apropriação. 
  • Acompanhamento de operações com condições especiais: prazos longos, pagamentos parcelados e liquidações fora do mês passam a exigir conferências adicionais. 

Impactos sobre notas fiscais e documentos 

O IBS depende de documentação mais consistente e de padrões que reduzam divergências entre municípios e estados. 

  • NFSe nacional: a padronização reduz diferenças de leiautes, mas aumenta a responsabilidade de registrar corretamente cada informação. 
  • Regras uniformes de destaque e crédito: menos espaço para erros formais, mas maior rigor na conferência. 
  • Documentos necessários para comprovação: notas, contratos e registros financeiros passam a ser peças-chave para validar crédito e manter coerência entre etapas da operação. 

Obrigações acessórias e compliance 

A lógica do IBS fortalece a rastreabilidade ao longo de toda a cadeia, reduzindo espaço para subjetividade e ampliando o papel dos cruzamentos automáticos. 

  • Menos cumulatividade, mais rastreabilidade: cada fase da operação passa a ser acompanhada com maior precisão. 
  • Menos subjetividade, mais padronização: os critérios unificados reduzem margens de interpretação, mas pedem processos internos bem definidos. 
  • Cruzamentos automáticos mais rígidos: inconsistências tendem a aparecer mais rapidamente, exigindo bases de dados mais limpas e alinhamento contínuo. 
  • Compliance ampliado: operações interestaduais, variações regionais de alíquota e convivência entre regimes aumentam a necessidade de acompanhar detalhes estruturais. 

Como o IBS afeta escritórios de diferentes portes  

A forma como o IBS redistribui responsabilidades, concentra verificações e exige padronização impacta cada escritório de modo diferente. O porte define não apenas o volume de trabalho, mas também o quanto a transição pode pressionar a operação e abrir espaço para novas oportunidades. 

Micro e pequenos escritórios 

Para equipes reduzidas, o principal desafio é o aumento da carga operacional. O volume de conferências tende a crescer, especialmente porque a apropriação de créditos passa a depender da comprovação de recolhimento.  

Sem processos claros, esse acréscimo pode resultar em retrabalho, acúmulo de pendências e dificuldade de manter prazos. O cenário exige organização prévia, já que a menor capacidade de absorver erros torna o impacto mais imediato. 

Escritórios médios 

Nesse grupo, o IBS força uma padronização mais evidente. Rotinas distribuídas entre diferentes profissionais, muitas vezes com métodos próprios, precisam convergir para critérios únicos, minimizando inconsistências.  

Equipes maiores também exigem alinhamento constante para garantir que todos sigam a mesma lógica de conferência, documentação e revisão. Para esses escritórios, a transição funciona como um ponto de virada para revisar fluxos internos e reduzir dependência de processos informais. 

Escritórios grandes 

Estruturas robustas terão desafios diferentes. O foco deixa de ser apenas execução e passa a envolver análises mais amplas, simulações comparadas e orientação contínua a clientes de maior complexidade.  

O IBS cria espaço para aprofundar consultoria tributária, interpretar cenários e apoiar decisões estratégicas. A pressão aumenta, mas o potencial de valor agregado também cresce, já que esses escritórios tendem a trabalhar com segmentos que sentirão diferenças significativas nas operações interestaduais e nas alíquotas regionais. 

Risco para estruturas que dependem de planilhas 

Independentemente do porte, a dependência de planilhas e controles manuais se torna um ponto sensível na era do IBS.  

Como o novo modelo reduz subjetividade e amplia rastreabilidade, inconsistências tendem a aparecer mais rápido. Quanto mais descentralizada e manual for a operação, maior o risco de falhas, atrasos e erros de interpretação. Escritórios que já operam com dados estruturados entram na transição com vantagem clara

O lado estratégico do IBS: oportunidades para contadores 

Embora o IBS aumente o rigor dos controles e amplie responsabilidades, ele também cria um ambiente que valoriza escritórios preparados

Demanda crescente por orientação especializada 

A unificação das regras e a redução de subjetividades fortalecem a procura por suporte especialista. Os clientes recorrem ao contador com mais frequência para: 

  • Entender impactos diretos do novo modelo; 
  • Revisar processos e modelos de operação; 
  • Avaliar efeitos sobre preços, margens e planejamento financeiro; 
  • Interpretar diferenças na aplicação das alíquotas. 

Esse movimento cria espaço para ampliar o valor do escritório com análises comparadas, previsões e explicações claras sobre cenários possíveis. 

Fortalecimento da consultoria tributária 

Como o período de convivência entre regimes gera dúvidas recorrentes, o contador ganha protagonismo ao transformar cálculos, regras e variações regionais em orientações práticas. Escritórios com estrutura organizada conseguem: 

  • Ir além da execução e atuar como consultoria técnica; 
  • Apoiar decisões estratégicas durante a transição; 
  • Antecipar riscos e pontos sensíveis de cada operação. 

Novas frentes de serviço 

A transição abre espaço para serviços adicionais, especialmente em temas que ganham complexidade com o IBS, como: 

  • Revisões estruturais de processos; 
  • Acompanhamento de operações interestaduais; 
  • Análises sobre impacto regional das alíquotas; 
  • Suporte contínuo em cenários de mudança normativa. 

Ao oferecer essas camadas adicionais de suporte, o escritório reforça seu papel consultivo e se posiciona como parceiro essencial em um ambiente de mudança constante. 

Como iniciar a preparação técnica para o IBS 

A adaptação ao IBS começa antes da vigência plena. As mudanças estruturais do modelo exigem que o escritório organize processos, fortaleça padrões internos e incorpore ferramentas que reduzam erros e facilitem decisões. A seguir, reunimos ações práticas que ajudam a criar uma base mais segura para a transição. 

Padronizar processos como vantagem competitiva 

Com menos espaço para subjetividade, escritórios com rotinas internas bem estruturadas ganham eficiência e reduzem retrabalho. Vale revisar fluxos atuais e identificar pontos onde a padronização pode: 

  • eliminar variações entre profissionais 
  • reduzir inconsistências entre etapas 
  • facilitar conferências e validações 
  • melhorar o tempo de resposta ao cliente 

Usar ferramentas de simulação e cenários 

A simulação deixa de ser um recurso pontual e se torna rotina na era do IBS. Ferramentas que comparam cenários ajudam o escritório a: 

  • projetar impactos de alíquotas regionais 
  • visualizar diferenças entre regimes 
  • antecipar quedas ou aumentos de carga tributária 
  • preparar clientes com comparativos claros 

Atualizar sistemas e avaliar integrações é parte desse movimento, garantindo que dados circulem de forma consistente entre áreas. 

Incorporar IA para interpretação de regras e inconsistências 

Ferramentas de IA apoiam o escritório ao: 

  • interpretar normas e atualizações do IBS 
  • identificar inconsistências em registros 
  • acelerar análises complexas 
  • reduzir tempo de pesquisa e conferência 

A IA funciona como apoio técnico contínuo, complementando o trabalho consultivo do contador. 

Preparar clientes com informações organizadas 

A transição exige clareza sobre impactos e decisões. O escritório pode: 

  • apresentar cenários comparados 
  • explicar diferenças entre regimes durante a convivência 
  • orientar sobre ajustes de operação e fluxo de caixa 
  • alinhar prazos, obrigações e documentos necessários 

Esse alinhamento reduz erros e melhora a previsibilidade da apuração. 

Outras revisões essenciais 

Além das ações centrais, o escritório pode reforçar sua preparação ao: 

  • revisar cadastros, regras e classificações 
  • treinar a equipe para operar no modelo do IBS 
  • testar cenários com simuladores antes da fase definitiva 
  • revisar contratos, prazos e modelos de operação 
  • ajustar controles internos que dependem de comprovação e liquidação 

Estratégia, tecnologia e adaptação contínua 

O IBS marca um ponto de virada para os escritórios e a adaptação precisa começar agora. Como vimos, embora o novo modelo traga mais transparência e elimine parte das distorções atuais, ele também exige rigor maior nas conferências, nos registros e na organização dos processos internos. 

Mesmo assim, o início do IBS também cria um espaço real para atuação estratégica, especialmente para escritórios que estruturarem sua operação com antecedência.  

Com tecnologia, IA e processos bem definidos, o escritório ganha previsibilidade, reduz erros e fortalece sua posição como parceiro essencial em um cenário que ainda está se consolidando.  

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